Casa Fernandez criou plataforma única no mundo dedicada às chaves automóveis

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Amador Fernandes realça que a especialização nas chaves e comandos automóveis
Amador Fernandes realça que a especialização nas chaves e comandos automóveis permitiu à empresa aumentar o seu volume de trabalho e negócios | BEATRIZ RAPOSO

Não é apenas única em Portugal, como também no resto do Mundo. A plataforma CarKeyNetwork é um projecto de Amador Fernandes, proprietário da Casa Fernandez, estabelecimento localizado na Praça 5 de Outubro que há mais de 40 anos se dedica ao recorte de chaves automóveis. Este site compila uma série de informações úteis às lojas deste sector sobre a programação de chaves e comandos automóveis. Existe desde 2011 e está em constante actualização.

 

Há 20 anos, duplicar ou fazer de origem uma chave automóvel implicava apenas conhecer o perfil de corte correspondente ao modelo do carro. Actualmente o processo é bem mais complexo e exige dos proprietários destes estabelecimentos conhecimentos tecnológicos específicos.
Não basta saber recortar a chave: agora é necessário dominar softwares de programação e códigos que variam consoante as marcas automóveis. Aliás, hoje praticamente todas as chaves tradicionais trazem comandos incorporados e são cada vez mais comuns os sistemas de mãos livres em que a chave é substituída por um cartão, por exemplo.
“Inicialmente quando comprámos as máquinas de programação tivemos uma formação muito simples de como é que os aparelhos funcionavam, mas assim que começaram a aparecer as situações em loja cheguei à conclusão que existia pouca informação sobre as chaves”, explica Amador Fernandes, acrescentando que outra dificuldade foi que a informação existente raramente estava disponível em português. “Ou então encontrava-se aqui e acolá, sempre muito dispersa”, conta o empresário, que em 2011 decidiu criar uma plataforma exclusivamente dedicada às chaves automóveis dirigida aos profissionais do sector que pagam uma anuidade para aceder a informações específicas. Actualmente  37 empresas nacionais utilizam a CarKeyNetwork como ferramenta de trabalho no seu dia-a-dia.
Esta plataforma é única no mundo e disponibiliza marca por marca dados sobre o desenho das chaves, códigos, os vários tipos de “transponder” (dispositivo electrónico inserido no interior da chave que faz ligação ao automóvel), sobre os comandos, a Centralina (módulo do carro) em que se encontra a informação da chave (varia de modelo para modelo), ou sobre as entradas OBD onde se ligam as máquinas de programação. Por exemplo, basta inserir a matrícula de um carro que a CarKeyNetwork acede ao seu número de chassi, ao modelo e à marca, ano de fabrico, entre outros pormenores.
Tudo o que é preciso saber sobre duplicação, programação de chaves e reparação de comandos está disponível nesta plataforma cuja linguagem complexa só é acessível e entendida pelos profissionais da área.
Este é um projecto que Amador Fernandes iniciou há seis anos mas que está em constante actualização pois depende directamente do fabrico de novos carros e, consequentemente, do aparecimento de novos softwares de programação de chaves.
Desde 2011 que o empresário de 53 anos também organiza um evento em que reúne os proprietários das várias casas de chaves do país para a partilha de conhecimentos e experiências. Este ano realizar-se-á o quarto encontro.

ESPECIALIZADOS EM CHAVES AUTOMÓVEIS DESDE 2008

Desde 1973 que a Casa Fernandez se dedica à duplicação dos mais variados tipos de chaves, mas foi só a partir de 2008 que esta loja (que também vende artigos de cutelaria e chapéus de chuva) se especializou na programação de chaves e comandos automóveis. Isto significa que a empresa está equipada para fazer as chaves e os comandos de 99% dos veículos que circulam na estrada sem depender das marcas. Aliás, além dos clientes particulares, a Casa Fernandez é inclusive requisitada por stands e marcas automóveis que aqui encontram muitas vezes um serviço mais rápido e autónomo.
Esta especialização implica um investimento constante em máquinas de programação, actualizações de software e stock de comandos, lâminas de chave e cartões (“chaves inteligentes”). Actualmente o estabelecimento possui mais de 20 aparelhos de programação, o mais caro avaliado em 15 mil euros. Os restantes, ainda que de preço inferior, ultrapassam facilmente os dois a quatro mil euros.
A Casa Fernandez está preparada, não só para duplicar ou reprogramar chaves automóveis, como para fazê-las do zero, nos casos em que os proprietários perdem todas as cópias. Há casos em que no próprio dia o cliente tem a nova chave na mão, outros mais complicados que podem levar alguns dias a serem solucionados.
Para programar uma chave é obrigatório ter acesso ao carro ou, pelo menos, às peças do automóvel onde está contida a informação electrónica das chaves. Foi assim que a empresa conseguiu resolver uma situação além-fronteiras de um carro parado em São Tomé e Príncipe, sem ter acesso a qualquer chave original do veículo. Este é apenas um exemplo dos vários episódios caricatos que a Casa Fernandez tem para contar. “Encontramos carros parados em locais muitos estranhos… lembro-me de uma vez em que tivemos que nos deslocar a uma fazenda no meio do nada para programar uma chave porque o próprio reboque se recusou a ir buscar o automóvel”, recorda Amador Fernandes.
O responsável explica que assim que são programadas novas chaves para um veículo, aquelas que se encontravam perdidas ficam automaticamente desactivadas por uma questão de segurança. E chama a atenção para o facto de ser indispensável que as pessoas que compram carros em segunda mão saibam exactamente se têm em mão todas as chaves do veículo que acabaram de adquirir. Isto porque “já lidámos com casos de clientes que compram um carro e passado algum tempo este é roubado porque alguém possui uma segunda chave do automóvel que o proprietário nem sequer sabia que existia”, esclarece Amador Fernandes.

 

Chaves mais seguras que antigamente

Até 1995 o funcionamento de uma chave automóvel era exclusivamente mecânico, ou seja, bastava uma correspondência com o desenho do corte da chave para o motor funcionar. “Era mais fácil roubar um carro e por isso as companhias de seguro exigiram aos fabricantes dos automóveis mais segurança”, conta Amador Fernandes, revelando que foi obrigatório introduzir nas chaves um imobilizador electrónico. Este sistema permite à chave comunicar um sinal à centralina do automóvel onde está contida a informação sobre a mesma: só se houver correcta leitura do sinal é que o veículo liga. Existem em todo o mundo mais de 80 milhões de automóveis equipados com imobilizador electrónico.
 “Os carros passaram a ter mais segurança porque além da correspondência mecânica é necessário que a chave esteja bem programada com o automóvel”, adianta o empresário.
Na sua opinião, o facto de actualmente as ditas chaves tradicionais serem tendencialmente substituídas por sistemas inteligentes (como os cartões) – em que deixa de existir a componente mecânica – retira segurança à chave, muito embora os softwares de codificação sejam bastante complexos. “Acaba por ser um retrocesso, até podem ser sistemas mais modernos e práticos, mas eu defendo a dualidade mecânica/electrónica”, acrescenta.
Por mês a Casa Fernandez fabrica cerca de 50 chaves automóveis, cujos preços variam entre os 50 e 500 euros. Já as “chaves de casa” custam entre 1,50 e 15 euros. “Por isso mesmo, ainda que o volume de trabalho dos dois serviços seja semelhante, o volume de facturação de cada um é substancialmente diferente”, realça Amador Fernandes, acrescentando que seria impensável pensar no negócio sem incluir a especialização nas chaves e comandos para automóveis.