Fado de Camané com piano de Laginha atraiu multidão ao Mosteiro de Alcobaça

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O Cístermúsica decorre até ao final de Julho
Ouvir o fado de Camané com o pianista Mário Laginha no Claustro do Silêncio, ver um bailado que foi uma autêntica visita nocturna aos espaços do Mosteiro, ou um concerto baseado num conto de Sophia de Mello Breyner, foram algumas das propostas do passado sábado no Cistermúsica.

Isaque Vicente
ivicente@gazetadascaldas.pt

Quando se pensa em fado, geralmente não se associa ao piano, mas o projecto “Aqui está-se sossegado”, que une o fadista Camané com o pianista Mário Laginha, é uma prova de que a junção funciona bem.
No passado sábado, numa noite agradável em termos de temperatura, o duo apresentou-se no Claustro do Silêncio do Mosteiro de Alcobaça para um concerto do Cistermúsica. Centenas de pessoas marcaram presença, lotando os lugares sentados e distribuindo-se pelas galerias do mosteiro.
A boa ligação entre os músicos foi uma nota evidente, num concerto que mostrou a cumplicidade entre os dois.
“Aqui está-se sossegado” junta a mestria ao piano de Laginha com a voz icónica de Camané e mostra o melhor de cada um.
A dupla apresentou fados tradicionais e temas do reportório de cada um dos artistas. Entre os temas ouviu-se ainda uma versão musicada inédita que fizeram do poema “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís de Camões, que sairá no próximo disco.
A actuação foi em crescendo, a conseguir cativar cada vez mais o público. E o piano ajudava a dar expressão às cantigas, agudizando as emoções.
Depois de uma demorada salva de palmas das centenas de pessoas que assistiram ao concerto, o duo regressou para o encore Sei de um Rio.
A caldense Filomena Franco veio de propósito para ver este concerto. “Foi um espectáculo muito bonito, achei lindo e gostei de todos os temas”, disse, acrescentando ter gostado particularmente de ouvir a junção do fado com o piano. “Foi uma vertente nova, porque sempre ouvi fado com guitarra portuguesa e foi uma novidade que gostei muito”, afirmou, elogiando a voz de Camané e a mestria ao piano de Mário Laginha.

DANÇA NO MOSTEIRO

Logo depois do concerto de Camané e Laginha, havia um espectáculo com a Companhia de Dança de Almada, que apresentou Subrosa, uma obra que levou os bailarinos a actuar em vários espaços do mosteiro.
A dança começava no Claustro D. Afonso VI e seguia para o Dormitório. Daí, os bailarinos guiavam o público para a antiga Cozinha e, por fim, para o Refeitório, numa autêntica visita nocturna àquele espaço cisterciense.
E assim se encerrou um dia em cheio do Cistermúsica. Durante a tarde os agrupamentos da Academia da Música de Alcobaça apresentaram-se na Praça D. Afonso Henriques e os Toy Ensemble apresentaram uma peça para concertos com narração, que tem como ponto de partida Homero, dos Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner.
Seguiu-se um concerto com músicas trovadorescas de vários países, com Michelle L. O’Connor e Wolodymyr Smishkewych e ainda os sonso da flauta de bambu de Rão Kyao, com a voz e o pei pá de Lu Yanan.
Luís Figueiredo, que é da Cela, mas estudou nas Caldas, veio ver a dança. “Gosto sempre pela envolvência do Mosteiro e que completa bem o ballet com o espaço”, disse, acrescentando ter gostado do espectáculo. “Venho todos os anos ver dança e também costumo ir a Cós ver os espectáculos”, contou. O alcobacense elogiou o festival e salientou a importância do Cistermúsica para Alcobaça e para a região.

Espectáculos até à próxima sexta-feira

oje, 19 de Julho, a partir das 22h00, haverá jazz com Madeleine Peyroux na Cerca do Mosteiro. Os bilhetes custam entre 10 e 25 euros. Meia hora antes, no âmbito da Rota de Cister, os La Trova apresentam-se no Mosteiro de Lorvão (Penacova). Amanhã, a partir das 21h30, o Ensemble Mediterrain leva o Sortilégio de Viena ao Centro Cultural Gonçalves Sapinho (Benedita). A entrada custa entre 8 e 10 euros.
Gonçalo Pescada e Mário Marques darão um recital de acordeão e saxofone no dia 21 de Julho, às 17h00, na Fórnea (Porto de Mós). A entrada é livre. Uma hora depois os espanhóis La Trova tocam no Museu do Vinho de Alcobaça (8 a 10 euros de entrada).
No dia 25 de Julho o Trio Elogio apresenta “A Guitarra Espanhola”, com obras de Mozart, Albénis, Falla e Dvorak, na Igreja da Misericórdia de Peniche (21h30). Meia hora depois a companhia Dança em Diálogos leva “Tudo Quanto Vi – Um Poema Coreográfico para Sophia”, numa celebração dos 100 anos de Sophia de Mello Breyner. O espectáculo realiza-se no Claustro D. Afonso VI e os bilhetes custam entre 6 e 8 euros.
O Cistermúsica termina no final do mês.