João Gomes Cravinho voltou à ESE 30 anos depois: “Caldas da Rainha e o Oeste evoluíram muito desde esse tempo”

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O Juramento de Bandeira dos instruendos do Curso de Formação de Sargentos trouxe no passado dia 5 de Junho o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, à Escola de Sargentos do Exército, onde ele próprio fez a tropa há anos. O ministro contou à Gazeta das Caldas um pouco das recordações que levou consigo daqueles nove meses vividos nas Caldas e lamentou que a Linha do Oeste se mantenha praticamente inalterada desde essa altura.

O passado dia 5 de Junho foi especial para os 27 instruendos do Curso de Formação de Sargentos em Regime Voluntariado e Regime de Contrato que juraram bandeira, mas também o foi para o ministro João Gomes Cravinho, cuja presidência da cerimónia representou também o regresso a um local onde não estava desde 1989, quando ali deu instrução militar.
No seu discurso aos instruendos, o ministro da Defesa Nacional começou, precisamente, por relevar a “profunda emoção” que sentiu pelo regresso à escola onde cumpriu serviço militar e leccionou inglês ao 17º Curso de Formação de Sargentos. “Tenho enorme apreço pela ESE e pela cidade das Caldas da Rainha, das quais guardo memórias de muito carinho”, afirmou.
João Gomes Cravinho veio para a ESE depois de cinco meses repartidos pela recruta em Cascais e pela especialização feita na Escola Prática de Serviço de Material, em Sacavém.
Em conversa com a Gazeta das Caldas, o ministro recordou que os nove meses em que frequentou a ESE foram repartidos com Lisboa, onde morava. “Na altura eu fazia investigação na universidade e o tenente-coronel que era responsável pelo corpo docente permitia-me ir a Lisboa quando não tinha aulas”, lembrou. Mesmo assim, grande parte do tempo foi passado nas Caldas e João Gomes Cravinho recorda que o tempo livre era passado em conjunto com os camaradas de curso. “Lembro-me de pequenas excursões que fazíamos à noite até Óbidos, à Foz do Arelho, à Nazaré, e obviamente à cidade”, refere.
Caldas da Rainha era uma cidade diferente do que é hoje, sublinha. “Era uma cidade muito pequena. Tenho vindo cá ocasionalmente durante estes anos e houve uma transformação, a cidade é outra e a região também evoluiu muito desde essa altura”, comentou.
Curiosamente, o governante não deixou de observar, e lamentar, que o que não teve grande evolução foi a Linha do Oeste. “Verifico que ainda se demora tanto tempo como naquela altura [NR – na realidade demora-se hoje ainda mais tempo do que em 1989] para se chegar a Lisboa, mas há trabalho em curso para a melhoria dessa linha, que bem precisa”, observou.
Bem melhor está a ESE. Se a composição do aquartelamento se mantém praticamente inalterada e “corresponde à memória que tinha”, o ministro notou que nos interiores “as condições de habitabilidade são bem superiores ao que eram há 30 anos”.
Dessa altura, João Gomes Cravinho lembra-se que o 16 de Março era ainda uma memória muito viva na ESE. “Alguns civis e um ou outro dos oficiais sargentos vinham do RI5 e isso fazia parte da nossa memória remota. Tinha sido só 14 anos antes, na altura parecia muito, mas vendo agora não era tanto tempo assim, mas as memórias que tenho são por interpostas pessoas”.

ATRAIR OS JOVENS

No seu discurso para os 27 jovens que fizeram o seu Juramento de Bandeira – 25 homens e duas mulheres – o ministro da Defesa Nacional realçou que a carreira militar é um percurso atractivo para os jovens, enfatizando o papel que as mulheres podem ter também a este nível.
Aos jornalistas, João Gomes Cravinho disse que é um desafio de médio e longo prazo inverter a escassez de militares nos ramos das Forças Armadas. “Quando a economia está bem há alternativas de emprego é preciso que Forças Armadas sejam atractivas para competir”, realçou.
Para aumentar essa competitividade face ao mercado de emprego, o governo está a preparar um conjunto de medidas, como um plano de profissionalização que cria melhores condições para o recrutamento, a retensão e reinserção dos militares na vida civil, o plano de igualdade, para atrair mais mulheres, e a habitabilidade das casernas são algumas dessas medidas. A questão salarial é também um dos aspectos em avaliação. “Queremos militares que venham por vocação, mas é preciso terem condições de remuneração e já aumentámos o mais baixo escalão de 580 para 630 euros”, afirmou.