Mohave quer procurar gás natural na cidade de Alcobaça

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Caso obtenha autorização, a Mohave deverá instalar na cidade uma plataforma semelhante à que se encontra em Aljubarrota

A Mohave Oil & Gas Corporation quer fazer perfurações no perímetro urbano em Alcobaça para saber se ali se encontra um reservatório de gás natural. A autorização para os trabalhos foi já pedida às entidades competentes. A Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) parece não estar preocupada com o facto de as perfurações serem na cidade, mas o presidente da autarquia, Paulo Inácio, mostra-se cauteloso e quer “tudo muito bem explicado”.
A intenção da empresa canadiana que há mais de 18 anos faz trabalhos de prospecção de hidrocarbonetos em Portugal, foi avançada por Paulo Inácio em conferência de imprensa e deverá resultar dos dados recolhidos com as sondagens realizadas na cidade no ano passado. Gazeta das Caldas tentou obter alguns esclarecimentos junto da Mohave, mas até à hora de fecho da edição não nos chegou qualquer resposta.
Já de acordo com o autarca, “a Mohave solicitou à Câmara a prospecção, perfuração e sondagem” junto à via de cintura interna da cidade. “A empresa considera que nesta zona do perímetro urbano da cidade existem motivos técnicos encorajadores a fazer-se esta prospecção”, que pode ir até uma profundidade de três mil metros, adianta o autarca. Mas os dados encorajadores, que apontam para a existência de um reservatório de gás natural “só podem ser confirmados com a perfuração”.Paulo Inácio diz que quando uma empresa decide fazer uma prospecção num território, sem ter grandes dados científicos, parte de um patamar de probabilidades máximo a rondar os 10%. “A empresa Mohave, com os dados que tem, parte com patamares obviamente mais elevados”, apesar de subsistirem “grandes incógnitas” que obrigam à realização dos trabalhos pretendidos.
As boas perspectivas foram também confirmadas pela DGEG, que numa carta enviada no passado dia 12 de Março à autarquia alcobacense diz que “poços de pesquisa de petróleo têm sido realizados com toda a segurança em cidades com elevados padrões ambientais e de segurança como, por exemplo, Roterdão, Paris e Los Angeles”. Mas antes de decidir sobre a autorização a dar, ou não, à perfuração, Paulo Inácio quer obter o máximo de informação possível.
O autarca reuniu com o secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, que entretanto deixou o Governo e quer contactar o agora empossado. Já para a passada quarta-feira (já depois do fecho desta edição) estava marcada uma reunião extraordinária do executivo camarário na qual eram esperados representantes da Mohave e da DGEG, que “tem dado sinais de concordância”. Eram ainda esperadas as presenças da secretaria de Estado da Cultura e do Instituto de Gestão Arquitectónica e Arqueológica, cujo parecer o edil considera “fundamental”, ainda que a perfuração deva incidir a algumas centenas de metros do Mosteiro de Alcobaça, monumento património da Humanidade. Paulo Inácio quer ainda que sejam prestados esclarecimentos públicos à população e aos autarcas eleitos. “Um processo destes exige todas as cautelas”, diz o autarca.
No final do ano passado, quando a Mohave se preparava para fazer novos estudos de prospecção de hidrocarbonetos na freguesia de Aljubarrota (onde está há já alguns anos), Paulo Inácio alertou para a inexistência de contrapartidas para os municípios no caso de exploração de recursos naturais no subsolo. Agora volta a dizer que “o Estado português claramente não parece estar preparado para estas situações, o que óbvio é que não há royalties municipais na legislação portuguesa”. Mas esta é uma questão que não se põe para já. “Neste momento impõe-se uma reflexão com toda a informação para tomarmos a decisão quanto à autorização da perfuração. Na eventualidade dessa decisão ser favorável e na eventualidade de se encontrar alguma coisa, muitas questões terão que ser levantadas”, diz Paulo Inácio.

Joana Fialho

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