Prossegue a busca da “chama certa” do gás natural em Alcobaça

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notícias das CaldasQue há gás natural em Aljubarrota (concelho de Alcobaça), já se sabe há muito tempo. A dúvida que persiste é se o há em quantidade suficiente e em condições que viabilizem a sua exploração. Mais de dez anos depois de ter iniciado os trabalhos de prospecção de hidrocarbonetos em Aljubarrota, a Mohave Oil & Gas Corporation mantém-se no terreno e prepara-se para realizar mais uma sondagem, numa nova localização a que chamou “Aljubarrota 5”. Apesar de a empresa não poder afirmar que a exploração de gás vai ser uma realidade, uma grande chama avistada na sondagem que está a ser feita em “Aljubarrota 4” veio aumentar a esperança da população e dos autarcas de terem à mão, ou melhor, no subsolo uma autêntica “galinha dos ovos de ouro”.

No final de Setembro a Câmara de Alcobaça dava conta da intenção da Mohave em realizar mais uma sondagem de pesquisa de hidrocarbonetos na zona de Aljubarrota, desta feita no lugar do Mogo, numa localização que foi designada como “Aljubarrota 5”. Pouco mais de duas semanas depois (no decorrer do encontro de autarcas social-democratas realizado em Leiria a 15 de Outubro) o presidente da autarquia alcobacense, Paulo Inácio, entregava ao primeiro-ministro, Passos Coelho, uma pasta que, de acordo com fonte ligada à autarquia, continha uma fotografia onde era bem visível uma chama forte a sair da plataforma “Aljubarrota 4”, onde a Mohave realizava então sondagens.
Questionado sobre essa fotografia, o autarca disse apenas que “todas as possibilidades de se encontrarem recursos aqui carecem sempre de confirmação e não é o presidente da Câmara de Alcobaça que se vai antecipar a qualquer confirmação por parte da empresa”. No entanto salientou “o investimento sério e avultado que a Mohave está a fazer neste local”.
A confirmação da tal chama, que foi mesmo avistada por residentes das imediações, chegou por parte do geólogo da empresa, Rui Vieira. “Ao longo dos últimos 15 dias temos desenvolvido sondagens em ‘Aljubarrota 4’, sem termos conseguido manter uma chama certa”, explicou o especialista à Gazeta das Caldas. E essa tal “chama certa” seria um importante indicador da real viabilidade de exploração de tão importante recurso.
Por isso, o geólogo salvaguarda que o gás natural que se sabe existir em Aljubarrota – onde a Mohave realiza estudos de prospecção geológica há mais de uma década – é “um recurso contingente porque sabemos que lá está, mas as contingências para o retirar são muitas”. E explica por que vai a empresa apostar em nova área de sondagens, a apenas algumas centenas de metros de “Aljubarrota 4”.

PROCURAR UMA AGULHA NO PALHEIRO

É que as pesquisas geofísicas realizadas no início deste ano, que são autênticas “ecografias à barriga da terra”, permitem ter “um conhecimento muito mais aprofundado do que está abaixo da superfície” e obter dados “mais concretos e fiáveis”. Estas pesquisas apontaram o local definido por “Aljubarrota 5” como uma “localização mais propícia do que aquela que estávamos a estudar”. Mas nestas coisas da ciência, “dois e dois nem sempre são quatro”, e o que a Mohave está a fazer é “procurar uma agulha num palheiro”, aponta Rui Vieira. Ainda assim, o geólogo diz que “quando apostamos é sempre numa perspectiva de sucesso”.
Em Portugal há 18 anos, a Mohave já investiu “cerca de 60 a 70 milhões de dólares americanos” (cerca de 50 milhões de euros). Caso se comprove a viabilidade de exploração dos hidrocarbonetos, o investimento vai com certeza disparar. “Tomará proporções que não consigo especificar”, diz Rui Vieira, confiante, ainda assim, que “a partir do momento em que se comprove que há hidrocarbonetos [gás ou petróleo] em Portugal, todas as empresas do sector vão estar de olhos postos no país”.
E caso isso se venha mesmo a confirmar em Aljubarrota, a proximidade ao gasoduto, cuja conduta principal passa a cerca de 300 metros do local das sondagens, seria uma grande mais-valia. “Se não houvesse esta estrutura, a análise económica seria diferente”, garante o geólogo.
A viabilidade de exploração seria um passo de gigante “num país e numa Europa muito dependentes de hidrocarbonetos”. E à autarquia de Alcobaça poderia sair um verdadeiro Euromilhões. Basta que se definam (à semelhança do que já acontece com a exploração da energia eólica), as contrapartidas económicas que cabem aos municípios na exploração de petrolíferos e similares. Mas estas ainda não estão previstas na legislação portuguesa.
Enquanto não há certezas, a Mohave Oil & Gas Corporation continua a pesquisar no subsolo da freguesia de São Vicente de Aljubarrota, a perfurar a distâncias que chegam aos 2,5 quilómetros de profundidade. Um trabalho que envolve cerca de 40 trabalhadores, não só portugueses, mas também vindos da América do Norte, Alemanha e Roménia, e que se desenvolve 24 horas por dia.