PS contra a construção de complexo comercial na antiga fábrica da Secla

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Gazeta das Caldas
Os dois vereadores socialistas, Luís Patacho e Jaime Neto, contestam a construção do conjunto comercial na zona nobre da cidade

A construção de um hotel, supermercado, restaurante e parque de estacionamento nas instalações da antiga Secla (edifício sede) é contestada pelos vereadores do PS da Câmara das Caldas. Luís Patacho e Jaime Neto estão contra a construção da grande superfície que vai fazer concorrência ao comércio tradicional e temem pelo impacto urbanístico negativo que aquele projecto terá naquela zona da cidade. Além disso, consideram que a proposta apresentada pela Prime Unit – Construções Imobiliário, Lda., não preserva a memória colectiva da Secla, uma fábrica de cerâmica emblemática que funcionou entre 1947 e 2008.
Na reunião de Câmara de 10 de Setembro, a maioria laranja já aprovou a demolição da fábrica com o voto contra dos socialistas.

Luís Patacho e Jaime Neto consideram que a zona da entrada sul deve ser requalificada, mas não pode ser “às custas de um projecto que deixará a cidade com um aspecto suburbano”. Em causa está a proposta da Prime Unit – Construções Imobiliário, Lda, com sede no Porto, que prevê a construção de um conjunto constituído por três edifícios destinados a comércio e serviços, com um supermercado da insígnia Continente Bom Dia, um restaurante fast food e um hotel da rede Campanile, com capacidade para 98 quartos.
O projecto prevê uma área de implantação próxima dos 4500 metros quadrados e prevê ainda a existência de um estacionamento a céu aberto com capacidade para 156 lugares.
O pedido de informação prévia sobre a viabilidade da construção foi aprovado pela maioria PSD em Fevereiro, embora com condicionantes, e no passado dia 10 de Setembro, foi aprovado o projecto para demolição da fábrica. O PS votou sempre contra, por discordar da construção de mais um hipermercado de grandes dimensões nas Caldas, com as características que este possui e que concorre mais directamente com o comércio tradicional. “É mais um contributo para a desertificação do centro da cidade, com a deslocação das pessoas para zonas menos centrais”, disse Luís Patacho na conferência de imprensa que os vereadores promoveram, a 14 de Setembro, para tornar pública a sua posição relativamente à instalação do conjunto comercial nas antigas instalações da Secla 1. Consideram que “apenas o hotel representa uma mais-valia para o local, aumentando a oferta e criando instalações de três estrelas na cidade”.
Luís Patacho referiu ainda que os postos de trabalho a ser criados normalmente são precários e com salários mínimos. O PS contesta também a criação de um parque de estacionamento ao ar livre, com capacidade para 156 lugares, defendendo que este deveria ser maioritariamente subterrâneo e que os poucos lugares ao ar livre deveriam ficar atrás do supermercado, de forma a minimizar o impacto visual.

Preservar a memória colectiva da fábrica

Os vereadores recordam que, em Fevereiro, quando aprovou o pedido de viabilidade, a maioria fez recomendações à empresa promotora no de sentido de reduzir substancialmente a presença das áreas exteriores de estacionamento, colocando-o no subsolo, assim como a criação de maiores áreas verdes e de estar no exterior. Foi também negociado um compromisso entre a autarquia e a Prime Unit para salvaguarda da memória colectiva da fábrica e o resultado é a preservação do pórtico com o nome Secla, que é recortado da fachada do edifício e suportado por uma estrutura metálica, implantado numa praça “com vista para o cemitério e o parque de estacionamento ao ar livre”, criticam os socialistas.
Está prevista a preservação de um painel de Hansi Stael, criação de uma sala de exposições da Secla no restaurante fast food e a existência de elementos de decoração Secla no hotel.
Os socialistas entendem que devia ser preservado o edifício central, que inclui o mural, na zona para onde está projectada a praça, e que ali poderiam ser criados ateliers, espaços para ceramistas e exposições de cerâmica.
“É um projecto vazio de significado do ponto de vista urbanístico e arquitectétonico”, diz Jaime Neto, defendendo, no mínimo, a permanência do edifício onde trabalharam os artistas na fábrica e a criação de mais espaços verdes. Consideram que deve haver uma contrapartida, por parte do requerente, para com o concelho porque este projecto tem um impacto urbanístico, económico e comercial muito relevante.
E por acharem que se trata de um projecto lesivo para as Caldas e para o próprio património cultural nacional, deixam a sugestão para a um movimento cívico em defesa da Secla, de modo a tentar reverter o processo.